Na manhã de sexta-feira, 28 de março de 2025, Mianmar foi abalado por um devastador terremoto de magnitude 7,7, que atingiu especialmente a cidade de Mandalay e outras regiões próximas. O epicentro foi localizado a apenas 16 quilômetros de Sagaing, gerando um impacto profundo em diversas áreas do país, incluindo zonas urbanas densamente povoadas e locais de grande importância comercial e cultural. O tremor causou destruição massiva e deixou um rastro de desespero entre os habitantes, que se viram no meio de um desastre sem precedentes. As primeiras testemunhas falam do horror de ver seus lares e comunidades ruírem diante de seus olhos, com relatos de choro e angústia se espalhando por toda a região afetada.
As cenas de destruição em Mandalay, a segunda maior cidade do país, chocaram a todos que estavam próximos do epicentro. Moradores relataram que os edifícios começaram a tremer violentamente e logo desabaram, deixando pessoas presas sob os escombros. Uma professora que estava em uma escola quando o terremoto começou, contou que no início todos tentaram se esconder debaixo das mesas, mas logo tudo ao seu redor desabou. Ela conseguiu escapar, mas viu prédios inteiros desmoronarem e ouviu os gritos desesperados das pessoas. “Eu posso ouvir pessoas chorando, como mães e amigos, porque seus filhos ainda estão dentro do prédio. Foi desesperador assistir a isso”, relatou emocionada, descrevendo a difícil situação que se seguiu ao terremoto.
Mianmar, que já enfrenta uma crise humanitária devido à guerra civil e ao golpe militar de 2021, se viu diante de uma situação ainda mais caótica após o terremoto. Além das dificuldades normais enfrentadas pela população, como a falta de alimentos e abrigo, o desastre natural complicou ainda mais a capacidade do governo de fornecer ajuda eficaz. A cidade de Mandalay e várias outras regiões foram colocadas em estado de emergência, mas as equipes de resgate ainda enfrentam imensos desafios devido à magnitude do dano e à falta de recursos. O governo birmanês, já criticado por sua lentidão em responder a desastres, finalmente fez um pedido raro de assistência internacional, reconhecendo a gravidade da situação.
Relatos de testemunhas sugerem que a resposta das equipes de resgate foi muito mais lenta do que o necessário. Em muitas áreas, os trabalhadores de resgate lutaram para acessar os escombros devido à destruição generalizada e à falta de equipamentos adequados. Em Mandalay, muitas pessoas ainda estão presas sob os escombros de hotéis, hospitais e escolas que foram completamente destruídos. A escassez de socorristas e a lentidão nas operações resultaram em um número de mortos crescente, com moradores locais observando impotentes o sofrimento das vítimas.
Além disso, o terremoto teve efeitos devastadores em outras infraestruturas essenciais, como a rede elétrica, que causou apagões em várias partes do país. Com a interrupção das comunicações, foi muito difícil para os cidadãos entrarem em contato com amigos e familiares, agravando ainda mais o pânico e a incerteza. Testemunhas relatam que, enquanto tentavam buscar abrigo, muitos viram as árvores balançando e sentiram o chão vibrar de forma intensa, o que indicava que o impacto do tremor era imenso. O caos só aumentou à medida que os cortes de energia dificultavam os esforços de comunicação e resgate.
A situação tornou-se ainda mais desesperadora à medida que se espalhavam notícias sobre o colapso de templos e locais de culto, lugares que normalmente servem como refúgio para a população local em momentos de crise. Um integrante de uma equipe de resgate em Mandalay descreveu a situação como “enorme”, destacando que os danos foram imensuráveis. As perdas humanas também aumentaram de forma alarmante, com mais de 20 pessoas confirmadas como mortas em um único hospital. Em algumas áreas, as equipes de resgate precisaram tratar vítimas em condições extremamente precárias, com pacientes sendo atendidos em macas improvisadas ao ar livre.
Em Yangon, distante mais de 600 km do epicentro, um professor de inglês também testemunhou os efeitos do tremor. Ele estava com seus alunos no pátio da escola quando o tremor começou. Relatou que a sensação foi como se o próprio chão estivesse se movendo, e, ao orientar os estudantes a se protegerem, percebeu a intensidade do abalo. “Você podia sentir as árvores balançando, as lâmpadas se movendo e a vibração no chão”, afirmou. Para ele, o fato de não saber o que estava acontecendo em Mandalay e não conseguir se comunicar com seus entes queridos acrescentou um nível extra de angústia à situação.
A resposta internacional também tem sido limitada. Mianmar, sob o regime militar, enfrenta restrições severas de comunicação e bloqueios à internet, o que dificultou o recebimento de ajuda e a coordenação de esforços de socorro. Mesmo assim, a comunidade internacional tem pressionado para garantir que a ajuda humanitária chegue ao país de maneira eficaz e sem obstáculos políticos. O país já enfrentava uma grave crise de refugiados e uma insegurança alimentar generalizada, e o terremoto só aumentou essas dificuldades, criando um cenário ainda mais difícil para os milhões de cidadãos afetados.
Em meio a essa devastação, um número alarmante de pessoas ainda está desaparecido, e muitos sobreviventes continuam a lutar para encontrar alimentos e abrigo. Organizações internacionais estão se preparando para enviar ajuda, mas os desafios logísticos e políticos podem retardar esse processo. Diante disso, a população de Mianmar enfrenta não apenas a tragédia do terremoto, mas também a incerteza de uma crise humanitária em rápida expansão. O pedido de ajuda internacional pode ser crucial para salvar vidas e aliviar o sofrimento daqueles que perderam tudo em um dos piores desastres naturais da história recente do país.
As lições de desastres naturais passados, juntamente com a complexidade da atual situação política e social em Mianmar, exigem uma resposta internacional coordenada e imediata. A ajuda humanitária será essencial para fornecer cuidados médicos, alimentos e abrigo às vítimas e, eventualmente, ajudar o país a se reerguer após essa tragédia devastadora. No entanto, enquanto isso não ocorre, a dor e o desespero das pessoas afetadas pelo terremoto continuam a se espalhar por Mianmar, enquanto o mundo observa e espera por um sinal de que a ajuda está a caminho.
Autor: Robert Jhons