Brasileiros avaliam a própria saúde como boa, mas pesquisa revela excesso de peso e sedentarismo

Redação Revista Gente
Por Redação Revista Gente
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A maioria dos brasileiros considera que está saudável, mas essa percepção não acompanha alguns indicadores relacionados ao estilo de vida. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. O levantamento aponta que 59% dos entrevistados classificam a própria saúde como ótima ou boa, enquanto 63% estão acima do peso, incluindo 26% com obesidade.

Os dados também revelam que 42% dos participantes afirmam não praticar atividade física. Entre aqueles que se exercitam, a média é de 2,4 dias por semana. O estudo ouviu presencialmente 2.015 pessoas com 16 anos ou mais, entre 25 e 30 de junho de 2026, nas 27 unidades da Federação.

Os resultados foram divulgados em reportagem da Agência Brasil. Intitulado “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, o levantamento ajuda a observar como a sensação subjetiva de bem-estar pode ser diferente de uma avaliação mais ampla das condições de saúde.

Sentir-se bem não é o mesmo que fazer uma avaliação completa

A percepção positiva sobre a própria saúde pode estar ligada à ausência de sintomas imediatos ou à capacidade de cumprir as tarefas do dia a dia. No entanto, sentir-se bem não substitui consultas, exames indicados para cada faixa etária e o acompanhamento de profissionais de saúde. O levantamento não representa um diagnóstico individual, mas um retrato das respostas dadas pelos participantes.

A diferença entre a percepção e os hábitos não significa que as pessoas estejam necessariamente enganadas sobre como se sentem. Também não permite concluir, isoladamente, que alguém desenvolverá uma doença. Excesso de peso e sedentarismo são fatores associados a maior risco para alguns problemas de saúde, mas a avaliação depende de características individuais, histórico familiar, alimentação, condições clínicas e outros aspectos.

Por isso, os números devem ser interpretados sem transformar o cuidado com a saúde em uma cobrança individual. A rotina de cada pessoa é influenciada por tempo disponível, renda, acesso a serviços, segurança nos espaços públicos e possibilidade de contar com orientação adequada.

Preço dos alimentos e falta de tempo influenciam escolhas

A pesquisa também investigou as dificuldades para manter uma alimentação considerada adequada. Entre os entrevistados que relatam obstáculos, 29% citam o preço de carnes frescas, frutas e vegetais. Outros 21% mencionam a falta de tempo e o cansaço, fatores que podem dificultar o planejamento das refeições e a prática regular de exercícios.

Essas respostas ajudam a ampliar o debate sobre hábitos saudáveis. Recomendações genéricas, como comer melhor e se movimentar mais, nem sempre consideram as condições concretas em que as escolhas são feitas. O custo dos alimentos, a jornada de trabalho, os deslocamentos e a disponibilidade de locais seguros para atividades físicas fazem parte desse cenário.

O comportamento alimentar e a prática de exercícios também não mudam de forma instantânea. Para muitas pessoas, pequenas alterações sustentáveis podem ser mais realistas do que metas rígidas. A escolha das estratégias, porém, deve levar em conta as necessidades individuais e, quando possível, contar com acompanhamento profissional.

Prevenção depende de informação e acompanhamento

A pesquisa foi produzida pelo A.C.Camargo Cancer Center e pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. Em conteúdos relacionados ao levantamento, as instituições também discutem hábitos de vida e a importância da identificação de fatores associados à prevenção de doenças.

Para o leitor, a principal mensagem é que a percepção de saúde dos brasileiros representa uma dimensão importante do bem-estar, mas não deve ser a única referência. Mesmo quem não sente desconfortos pode precisar atualizar consultas, verificar a vacinação, realizar exames recomendados e conversar com profissionais sobre alimentação, sono, atividade física e outros hábitos.

Da mesma forma, o excesso de peso ou a falta de atividade física não definem uma pessoa nem autorizam julgamentos sobre suas escolhas. O cuidado precisa considerar o contexto de vida e buscar mudanças possíveis, sem culpabilização. A combinação entre informação confiável, acesso aos serviços e políticas que favoreçam escolhas saudáveis é fundamental para aproximar a sensação de bem-estar das condições reais de saúde.

A divulgação do levantamento pela Agência Brasil ocorreu em 24 de setembro de 2026. Os dados oferecem um retrato nacional, mas não substituem avaliações clínicas nem devem ser usados para tirar conclusões sobre indivíduos que não participaram da pesquisa.

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