Crianças que cantam: O impacto de longo prazo das atividades culturais da Fundação Gentil

Diego Rodríguez Velázquez
By Diego Rodríguez Velázquez
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É difícil traçar uma linha reta entre uma criança que cantou num coral aos 10 anos e um adulto que lidera uma equipe aos 30. Mas pesquisadores do desenvolvimento humano fazem exatamente isso, com evidências crescentes de que experiências artísticas na infância têm impacto mensurável sobre competências de liderança, comunicação e inteligência emocional décadas depois. Eloizo Gomes Afonso Duraes incorporou coral e teatro à Fundação Gentil Afonso Duraes em março de 2004, muito antes de essa literatura se consolidar, movido por uma intuição que a ciência viria a confirmar.

O que vinte anos de programa cultural produziram

As primeiras crianças que participaram das atividades de coral e teatro da Fundação em 2004 têm hoje entre 27 e 37 anos. São adultos que carregam consigo, em graus variados, as marcas daquelas experiências: a capacidade de se expressar em público sem pânico, o hábito de trabalhar coletivamente para um objetivo comum, a empatia desenvolvida ao dar voz a personagens diferentes de si mesmos, a disciplina construída nas repetições do ensaio coral.

Essas competências não aparecem nos currículos com o nome de teatro ou coral. Aparecem como comunicação, trabalho em equipe, liderança, resiliência. São as chamadas soft skills que empregadores cada vez mais valorizam e que o sistema educacional convencional raramente desenvolve de forma explícita e consistente.

Eloizo Gomes Afonso Duraes
Eloizo Gomes Afonso Duraes

A arte como laboratório de vida

O teatro e o coral funcionam como laboratórios de habilidades sociais porque criam situações em que essas habilidades são necessárias de verdade, não simuladas. No coral, cada voz importa e nenhuma é suficiente sozinha: é uma experiência vivida de interdependência e responsabilidade coletiva. No teatro, errar na frente dos outros e tentar de novo desenvolve uma tolerância ao fracasso que é fundamental para qualquer trajetória de crescimento pessoal ou profissional.

Eloizio Gomes Afonso Duraes criou na Fundação Gentil Afonso Duraes um espaço onde crianças vulneráveis têm acesso a essas experiências formativas que, em outros contextos, são privilégio de quem pode pagar por escolas particulares com programas culturais robustos. Essa democratização da experiência artística é, ao mesmo tempo, um ato de justiça social e um investimento de longo prazo no capital humano das comunidades atendidas.

O retorno que nenhum balanço captura

Eloizo Gomes Afonso Duraes nunca precisou de estudos de impacto para saber que as atividades culturais da Fundação valiam o investimento. Via o resultado nos rostos das crianças, na confiança que desenvolviam, na forma como passavam a se relacionar com os colegas e com os adultos ao redor. Esse retorno, invisível nos balanços financeiros, mas profundamente real nas trajetórias de vida, é um dos legados mais duradouros de mais de vinte anos de Fundação Gentil.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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