Envelhecimento da população desafia o SUS e amplia debate sobre cuidado e direitos

Redação Revista Gente
Por Redação Revista Gente
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O envelhecimento da população brasileira já transforma a rotina das famílias, dos serviços públicos e das comunidades. Segundo o Ministério da Saúde, o país tem cerca de 36 milhões de pessoas idosas, e aproximadamente 80% desse grupo utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS). O crescimento dessa parcela da população amplia a necessidade de políticas que vão além do tratamento de doenças e incluam prevenção, autonomia, convivência e proteção social.

A discussão ganhou destaque em 1º de outubro de 2026, Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa. Em conteúdo publicado na data, o Ministério da Saúde relacionou o cenário atual aos 20 anos da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, aprovada pela Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006.

O Brasil está envelhecendo

Os dados demográficos ajudam a dimensionar a mudança. De acordo com o IBGE, o Censo Demográfico 2022 registrou aproximadamente 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população brasileira. Esse contingente cresceu 56% em relação a 2010. Entre as pessoas com 65 anos ou mais, o aumento no período foi de 57,4%.

A diferença entre os números do Censo e a estimativa apresentada pelo Ministério da Saúde está relacionada ao momento e à finalidade de cada levantamento. O Censo retrata a população recenseada em 2022, enquanto o dado divulgado pela pasta de saúde apresenta uma referência mais recente para o planejamento do atendimento. Em ambos os casos, a tendência é a mesma: o Brasil tem uma população idosa numerosa e em expansão.

Como o SUS organiza o cuidado

A atenção à pessoa idosa no SUS começa na atenção primária, porta de entrada para consultas, vacinação, acompanhamento contínuo e identificação de necessidades específicas. A proposta é reconhecer não apenas diagnósticos, mas também o grau de autonomia, as condições de moradia, a presença de cuidadores e os riscos de dependência.

O cuidado pode incluir acompanhamento domiciliar e ações voltadas às pessoas que precisam de maior apoio para realizar atividades do dia a dia. Essa abordagem é importante porque o envelhecimento não ocorre de maneira igual para todos. Há pessoas idosas independentes, participantes da vida comunitária e do mercado de trabalho, enquanto outras enfrentam limitações físicas, doenças crônicas ou dependem de redes familiares e de serviços públicos.

Na prática, o desafio é fazer com que a assistência não fique restrita a atendimentos emergenciais. Prevenir quedas, manter a vacinação em dia, acompanhar condições de saúde e orientar familiares e cuidadores são medidas que podem contribuir para preservar a capacidade funcional e reduzir situações de agravamento.

Direitos vão além da consulta médica

A saúde da pessoa idosa também está ligada ao direito de viver com dignidade, respeito e participação social. O Estatuto da Pessoa Idosa, instituído pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, assegura direitos relacionados à saúde, educação, cultura, lazer, cidadania e convivência familiar e comunitária. A legislação considera idosa a pessoa com 60 anos ou mais.

O Estatuto da Pessoa Idosa também prevê prioridade no atendimento e na tramitação de processos judiciais. Para pessoas com 65 anos ou mais, há previsão de gratuidade nos transportes coletivos públicos urbanos, conforme as regras legais aplicáveis. Esses direitos fazem parte da proteção necessária para que o envelhecimento não signifique isolamento ou perda de autonomia.

É importante diferenciar os marcos legais. O Estatuto foi criado em 2003 e completa 23 anos em 2026. Já a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, aprovada em 2006, chega aos 20 anos. A distinção evita confusões e ajuda a compreender que a proteção jurídica e a organização específica das políticas de saúde são instrumentos relacionados, mas não são o mesmo documento.

Proteção contra violências

Outro ponto central é a prevenção e o enfrentamento das violências contra pessoas idosas. Suspeitas ou confirmações de violações devem ser comunicadas às autoridades competentes. Denúncias também podem ser encaminhadas ao Disque 100, canal indicado pelo governo federal para receber relatos de violações de direitos humanos.

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a proteção prevista no Estatuto alcança situações de negligência, discriminação, abuso e violência. A responsabilidade pelo cuidado, portanto, não deve recair apenas sobre as famílias. Ela envolve serviços de saúde, assistência social, órgãos de proteção e toda a sociedade.

Com o avanço do envelhecimento populacional, o debate sobre a saúde da pessoa idosa no Brasil precisa considerar a vida cotidiana. Garantir acesso ao SUS é essencial, mas também é necessário assegurar mobilidade, vínculos, segurança, respeito e condições para que cada pessoa envelheça com o máximo possível de autonomia. O desafio é transformar o aumento da longevidade em uma experiência acompanhada por direitos e participação.

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